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Melodia em alta: o Progressivo ganha cada vez mais espaço no cenário underground mundial

Melodia em alta: o Progressivo ganha cada vez mais espaço no cenário underground mundial

Solomun, Sasha, Dixon, John Digweed, Tale Of Us, Hernan Cattaneo, Guy Gerber, Guy J, Amê, Nick Warren, Laurent Garnier, Sebastien Leger, Stephan Bodzin, Robert Babicz, Eelke Kliejn, Gui Boratto, Jeremy Olander e Adriatique… O que estes nomes têm em comum?

Nos últimos anos esses artistas, e seus respectivos selos, têm sido verdadeiros embaixadores das sonoridades melódicas e progressivas que vêm ganhando cada vez mais espaço no cenário underground mundial. Mas como classificar esta sonoridade viajante e introspectiva, que está invadindo o mainstage dos principais festivais do circuito, como Awakenings, DGTL, BPM Festival entre outros? Seria Techno Melódico? Progressive House? Techno Progressivo? Ethereal Techno? Deep House? Electronica?

Um DJ iniciante, ou simplesmente alguém que começou a curtir música eletrônica a partir desta década, tem muita dificuldade de identificar o que é o verdadeiro Progressive House, principalmente devido a inúmeros equívocos de classificação do Beatport, site referência número 1 do mundo em vendas de música eletrônica. (Leia a matéria sobre as mudanças de classificação do Beatport AQUI, para entender melhor).

Mas você, caro leitor, deve estar se perguntando: “Progressive House não é o estilo produzido por Alesso, Avicci, Kaskade, Hardwell, Axwell, Steve Angelo e companhia???!!!“

Infelizmente para você que sempre acreditou que o “EDM”, movimento comercial que ganhou projeção no inicio desta década, incluía as sonoridades do Progressive House, viemos avisar que a história é um pouco diferente.

Para entender melhor uma faixa de Progressive House, é importante saber o porquê da palavra ‘Progressive’, que vem da entrada gradual e progressiva de elementos na faixa. Em uma faixa real de Progressive House, os synths, percussões, arpegios e melodias vão entrando lentamente, construindo uma história longa e hipnotizante. Já nos rítmos de ‘EDM’, as faixas são baseadas em breaks longos e grandes drops, sem progressão.

(Favor não confundir EDM com Electronic Dance Music, termo que ao pé da letra abrangeria todos os gêneros, mas que foi cunhado nos Estados Unidos no final da década de 2000 para abranger as novas sonoridades explosivas de big room e afins que invadiram os grandes festivais comerciais, quando produtores de eventos da maior potência do mundo resolveram entrar no jogo bilionário da indústria de música eletrônica).

DA ONDE VEIO ENTÃO O PROGRESSIVE HOUSE
Para conseguir compreender a sonoridade que está sendo o verdadeiro trend atual no circuito “underground” mundial, precisamos revisitar rapidamente a história do Progressive House.
No final dos anos 90, as raves e clubs do mundo eram dominados pelas sonoridades high bpm do Trance e do Techno, até que um movimento liderado por Sasha e John Digweed começou a introduzir uma sonoridade que trazia bpm e grooves mais refinados da House Music, com as melodias e transe do Trance. O Progressive House entrava na cena captando as emoções dos ravers de uma maneira completamente diferente. Trocava-se a frenesia dos high bpms e big drops do Techno e Trance pela viagem introspectiva e espiritual do Progressive House.

Não tardou para Sasha e John Digweed, os grandes embaixadores do Progressive House, se tornarem DJs número 1 do mundo no início dos anos 2000, confirmando o ápice de popularidade do estilo no circuito.
Sasha – Xpander – Uma das faixas mais icônicas de Progressive House da história.
Porém, a música eletrônica estava em processo de massificação, começando a invadir as rádios e charts mundiais – e o Trance (especialmente o vocal trance) e outras vertentes mais “comerciais”, como House e Euro Dance, vinham a dominar o mercado mainstream.
Com esse novo mercado radiofônico formado no mundo, o Progressive House ficou restrito ao ambiente raver e clubber. Já que o estilo não se adaptava à demanda comercial das rádios, acabou ganhando a fama de ser a vertente mais “refinada“ e “conceitual” pela comunidade eletrônica. Nomes como Hernan Cattaneo e Nick Warren se juntavam a Sasha e John Digweed, e juntos eram considerados os “magos” do Progressive House.
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Já no final dos anos 2000, o estilo começou a sofrer uma descaracterização forte porque o portal Beatport deixou as gravadoras e artistas escolherem livremente o gênero de suas músicas. Artistas passaram a misturar as sonoridades fortes do House Tribal e Electro House com os synths e melodias imponentes do Epic Trance e do Euro Dance, criando uma sonoridade totalmente nova.
Sem ter um gênero específico para lançarem esta nova sonoridade, começaram a lançar como “Progressive House”. E aí ele veio a se tornar o mega popular “EDM” e “Big Room”, que se apropriou do termo “Progressive House” no início desta década, deixando o verdadeiro estilo underground perdido, sem uma real referência no portal Beatport.

E ONDE FICOU O “REAL” PROGRESSIVE HOUSE NESSA HISTÓRIA?
O real Progressive House continuou vivo, mas apenas em circuitos específicos, representado com força por artistas como Hernan Cattaneo, Nick Warren e Guy J.

A dificuldade de achar faixas reais de Progresive House era imensa para DJs do underground, que pararam de fazer suas pesquisas na página de Prog House devido à invasão da “EDM” no estilo. Até os principais pais do Progressive House – Sasha e John Digweed –, e seus respectivos selos, diminuíram o foco e começaram a investir em outros estilos do dito “underground”.
Parecia que a vertente jamais viria a se popularizar no cenário underground novamente, já que o Techno, Minimal, Deep house e Tech House haviam dominado este circuito e seus principais artistas no inicio da década, como Luciano, Richie Hawtin, Loco Dice, Seth Troxler, Ricardo Villalobos, Jamie Jones entre outros, que eram eram avessos aos elementos e melodias do Progressive.

O “SALVADOR”
Porém, no início desta década, um artista começou a chamar a atenção do público por apresentar uma sonoridade totalmente inovadora. Diferente dos seus pares, este artista passou a hipnotizar as pistas com sets melódicos e introspectivos, com arpegios, pads, baixos corridos e harmonias complexas. Um som até então novo para um público que não tinha contato com estes elementos musicais.
O seu nome é Dixon – e uma revolução sonora, uma completa mudança no Techno, Tech House e Deep House, começou com ele e parceiros do selo Innervisions .

Enquanto nos sets dos outros artistas a regra era apenas dançar, quando Dixon entrava, a regra era viajar e entrar em transe. Muitos afirmavam que curtir um set ao vivo de Dixon era uma experiência quase que espiritual.
Dixon tocando ‘Chicola – Childhood’ no main Stage do Awakenings – Faixa lançada pela gravadora ‘Lost & Found’ de Guy J.
Mas o jovem público não sabia como nomear esta sonoridade e rapidamente começaram a surgir inúmeros rótulos, como o de “Techno Melódico”, que pareceu mais adequado. Porém, os ravers mais antigos e experientes percebiam: O Progressive House camuflado de Techno estava finalmente voltando para o circuito.
A ascensão de Dixon foi fulminante e o artista apareceu em 2013 pela primeira vez como número 1 do TOP 100 DJs do Resident Advisor e desde então não saiu mais da primeira posição do ranking. A partir daí, grandes artistas começaram a mudar suas sonoridades e passaram a adotar os elementos e melodias do Progressive em seus sets.

Podemos citar Solomun e seu selo Diynamic, e Tale of Us, como um dos primeiros a abraçar com força a sonoridade e ajudar na sua expansão.
Tale of Us e toda sua progressividade tocando “Fatima Yamaha – Araya. 
A onda melódica Progressiva se espalhou definitivamente em meados desta década, com selos renomados de outros gêneros como Noir e Suara lançando inúmeras fusões de Progressive com Tech House, Deep House e Techno.

Como era impossível lançar sons underground na página de Progressive House do Beatport e ter alguma visibilidade, os selos começaram a lançar Progressive em diferentes categorias para atingir o público alvo. Lançar Progressive como Techno, Tech House, Deep House e Electrônica virou uma verdadeira norma para muitos artistas, entre eles, podemos citar os clássicos de Ten Walls “Walking With Elephants”, Joris Voorn “Ringo” e Frankey & Sandrino “Acamar”. Faixas de Progressive House que foram “camufladas”, como se fossem outros estilos, se tornaram verdadeiros hinos do underground.

O Beatport – vendo o real Progressive House ficar cada vez mais forte no circuito, enquanto a “EDM” ia perdendo popularidade –, resolveu, no final de 2016, devolver à categoria do estilo em seu site a verdadeira sonoridade Progressiva. Faixas e selos do movimento da EDM, incluindo artistas como Hardwell, Alesso, Avicii, Axwel e similares, foram removidas da seção Progressive House, sendo recolocadas em seus devidos gêneros, incluindo Big Room, Dance, Electro House e Future House, devolvendo assim o Progressive House ao movimento underground.

PROGRESSIVO E TECHNO = UM CASO DE AMOR
O ciclo se fechou, e gravadoras e artistas que antes lançavam as sonoridades “Progressivas” camufladas em outros gêneros puderam voltar a lançar como Progressive House. Tivemos o retorno ao Progressive de gravadoras como Bedrock, Last Night On Earth, Parquet Recordings, Anjunadeep, entre outras.
Os pais do progressive Sasha & John Digweed voltaram a tocar Progressive predominantemente. Guy J e Hernan Cattaneo saíram do circulo fechado do Progressive e voltaram a atuar com força em toda a cena, trazendo junto seus protegidos como Guy Mantzur e Khen.

O estilo que ficou conhecido como Techno Melódico, Techno Progressivo ou Ethereal Techno, finalmente está voltando a ser chamado do que ele realmente é: Progressive House. Hoje é praticamente impossível ver um artista grande de Techno não incluir algumas faixas de Progressive House em seus sets e vice versa. A regra dos grandes DJs do momento é mesclar ambos os estilos e manter a pista num balanço perfeito entre a vibração do Techno e a viajem introspectiva do Progressive.
Maceo Plex no Boiler Room tocando ‘Der Dritte Raum – Hale Bopp’ , clássico do Progressive.
A crescente popularidade do estilo pode ser facilmente percebida olhando para algums playlists, flyers e charts. John Digweed e Sasha são os headliners do Resistance, marca underground do Ultra e estão ditando o ritmo da residência oficial da marca em Ibiza. Artistas referência em outros estilos como Cristoph, Patrice Baumel e nosso brasileiro Victor Ruiz carimbaram recentemente o TOP 1 de Progressive House – e é comum ver no playlist de Solomun, Tale of Us, Dixon e Ame faixas de artistas referência no Progressive House, como Pryda, Darin Episilon, Quivver, Petar Dundov, Glenn Morrison, entre outros.

E COMO O BRASIL ENTROU E SE ADAPTOU A ESTE NOVO CENÁRIO?
O Brasil sempre ficou um pouco atrasado das tendências mundiais. Claro que sempre tivemos artistas e apostas por aqui, mas alguns clubs e produtores de eventos já voltam a investir mais fortemente no estilo que está mais presente do que nunca. O Ultra Music Festival Rio confirmou Sasha e John Digweed na primeira fase de seu line up. Warung (que sempre apostou, com nomes como Dixon, Mano Le Tough e Hernan Cattaneo frequentemente em seus line ups) e D-Edge confirmaram Guy J e Guy Mantzur neste ano para serem headliners de festas importante, Green Valley confirmou Jeremy Olander para o famoso Winter Music Festival e o novo núcleo de festas Unik ID está trazendo Darin Episilon e Cid Inc neste mês de junho para São Paulo.
Artistas nacionais antes focados em outros estilos também se juntaram às sonoridades progressivas. Sonic Future e Victor Ruiz aderiram logo no início do movimento e mais recentemente Dashdot e Touchtalk lançaram faixas de Progressive House no Beatport. Gui Boratto, que sempre intitulou suas faixas como Techno, relançou recentemente um remix como “Progressive House” no digital, pela lendária gravadora Bonzai Progressive.

Referências do Progressive House nacional no exterior, Morttagua e Danny Oliveira estão sendo cada vez mais respeitados dentro do cenário underground nacional, e com eles outros artistas do gênero vêm surgindo e se destacando como Nato Medrado, Luciano Scheffer, Fer J e Be Morais. Blancah e Alex Justino, artistas que tem `progressividade` em seu som e que representam o Techno Melódico ou “Ethereal Techno”, vêm ganhando mais força dentro do casting da agência D-Edge, e recentemente a Entourage anunciou L_cio como uma de suas grandes apostas para 2017.

Também temos selos nacionais investindo forte no Techno Melódico e Progressive House como D.O.C, Timeless Moment, Not Another e Nin92wo.

Os sons Progressivos e melódicos têm conquistado maior espaço no cenário internacional e já começam a sair dos círculos dos grandes artistas para entrar nos cases dos DJs de menor expressão, aqueles que movimentam as cenas locais com suas festas e residências em clubs. Não importa qual o seu rótulo preferido, seja ele Techno Melódico, Ethereal Techno, Techno Progressivo ou o bom e clássico Progressive House, o que importa é que as sonoridades progressivas estão em alta e prometem ser a grande tendência no circuito underground mundial em 2018.
Será que isso vai pegar de vez no Brasil também? Tudo indica que sim, afinal, somos um país que gosta de melodias, vide a vibe dos “deeps” da vida. Fiquemos atentos aos próximos capítulos!

Quer conhecer mais sobre o Techno Melódico e o Progressive House? Siga esta playlist do Spotify que preparamos para você com clássicos, novidades e faixas de produtores nacionais!

Fonte: House Mag

Sobre o autor

Cesar Marquesi

Apaixonado por musica eletrônica, amante da boa musica acima de tudo, acostumado a garimpar novidades e tendência do mercado.

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